Jornal A Tribuna de Santos. junho 2012

Tire apenas fotografias, deixe somente pegadas e leve boas lembranças dos lugares por onde passa…  Se você costuma viajar, certamente já deve ter lido essa mensagem em algum lugar. No meu caso, copiei-a de um cartaz fixado na parede de um restaurante de Paraty, no Rio de Janeiro, e acredito que ela seja a síntese do que se deve realmente esperar de um turista consciente dos seus direitos e deveres quando visita um lugar, seja ele aqui ou lá fora!

O cartaz, assinado pelo Ministério do Turismo, não estava ali por acaso. Ele faz parte da campanha de sensibilização sobre a importância de se apostar no turismo sustentável, que engloba não só a preservação do patrimônio natural e cultural de uma cidade, mas também a valorização do que ele tem de melhor. E, em se tratando de Paraty, difícil mesmo é encontrar algo que não seja digno de ser perpetuado…

Tanto isso é verdade que a cidade carioca é a primeira de 65 destinos considerados verdes no País, ou seja, indutores de turismo sustentável.

Tudo baseado nos parâmetros da Rio 92 e da Agenda 21. “O objetivo maior é criar um novo perfil de turismo”, destaca Leila Passini que, ao lado do marido Paulo César da Silva, o chef Caju, está à frente da Associação Regional da Abrasel (Associação Brasileira de Bares eRestaurantes).

Eles também são donos da Casa do Fogo – onde, por sinal, estava fixado o cartaz – e estão batalhando para levar adiante a missão que foi proposta ao município, já que Paraty foi escolhido para servir de referência no País no que diz respeito ao chamado Passaporte Verde.

PRIMEIROS FRUTOS
Trata-se de um trabalho de formiguinha, mas que já começa a dar os primeiros frutos, segundo Leila. Atualmente, 18 dos 100 restaurantes cadastrados da cidade já aderiram à gastronomia sustentável, que tem como maior objetivo valorizar o que a terra dá na região. “É uma via de mão dupla, pois ganham os produtores, assim como os donos dos restaurantes”,  garante Leila, que cita os frutos do mar, o palmito pupunha, a banana da terra e a cachaça como as maiores estrelas locais.

O trabalho engloba parceriasnas esferas estaduais e federais, além de pequenas ações, entre elas a reeducação dos produtores, no sentido de conscientizá-los da importância da agrofloresta ou agro-ecologia, onde as famílias exploram a terra sem desmatá-la. Os produtores, por sua vez, há cerca de quatro meses têm realizado feiras quinzenais, para dar sugestões de safras dos produtos cultivados e efetuar encomendas junto aos donos dos restaurantes.

MELHOR APROVEITAMENTO
O processo envolve também um melhor aproveitamento dos produtos, os tipos de pratos – com pouco fritura, por exemplo, para reduzir o  desperdício de óleo, dando preferência aos flambados. “É um processo lento, que está embasado em conceitos e ações para se ter o menor impacto possível no meio ambiente”, explica Leila.

por Carla Zomignani
Editora de Turismo
Jornal A Tribuna de Santos/SP

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